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BRAZUCAS NATURAIS

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Falar em vinhos naturais não é algo simples, até mesmo porque a maioria dos consumidores não entendem a diferença que se faz menção entre os vinhos distribuídos atualmente e o que alguns pequenos produtores brasileiros vem realizando.

Alguns chamam esta “rapaziada” de loucos, mas a bem da verdade eles estão buscando um espaço que vem crescendo não somente no mundo do vinho, mas de maneira geral. Hoje vemos muitas pessoas que estão trocando vários tipos de alimentos e consumindo mais produtos naturais, tudo pelo bem-estar. Aqui estamos falando de algo parecido, pois uma gama de produtores brasileiros estão se dispondo a produzir vinhos naturais, sem adição de conservantes, preparam a terra sem defensivos, ou seja, interferência mínima na natureza.

Encontramos atualmente produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos, algo raro até bem pouco tempo em solo nacional. Não é exclusividade nossa, dado que o mercado europeu já está consolidado e tem vários produtores que se utilizam deste processo para produção de seus vinhos e agora os chamados naturebas.

Tenho acompanhado este mercado de perto e temos visto a trabalheira e a dificuldade que se tem para se produzir algo aqui no Brasil. A verdade é que não é fácil!

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É certo que produzir qualquer coisa está muito difícil, mas o mercado nacional de vinhos sofre com as altas taxas de impostos o que acaba sempre impactando o consumidor final, mas deste assunto já falamos há algum tempo.

O que tem me impressionado é que produtores de vinhos naturais tem feito um trabalho interessante e não se prendendo em fazer vinhos num padrão global, muito pelo contrário, tem buscado se diferenciar e arriscando muito mais, trazendo novas uvas, as vezes buscando aquelas que estavam esquecidas, realizando cortes de vinhos não tradicionais, resgatando talvez as origens e tudo isso tem sido fantástico. Temos a oportunidade de provar algo diferente, de sentir realmente a mão e o que a natureza nos proporcionou.

Participei recentemente da feira de vinhos “naturebas” organizado pelo casal Ramatis e Lis, proprietários da Enoteca Saint Vin Saint, que são engajados neste mundo.

Estes vinhos dificilmente serão encontrados em lojas de supermercados, dado que sua produção é limitada, a compra é sempre realizada diretamente com o produtor na maioria das vezes.

Conseguir reunir grande parte destes produtores num único espaço foi uma grande ideia e nos proporcionou verificar cada detalhe e o que pensam cada um deles sobre a produção de vinhos. Vimos como são apaixonados pelo que fazem, tem o brilho nos olhos e satisfação em mostrar o que fazem.

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Segue uma pequena lista dos vinhos que provei junto aos produtores:

  • ERA DOS VENTOS
    • Produtor Luiz Henrique Zanin – região de Bento Gonçalves, que tem como sócios Álvaro Escher e Pedro Hermetofez da uva Peverella um sucesso. Esta que já foi a uva mais plantada há alguns anos atrás e buscou vinifica-la de forma diferente, fermentando com a casca o que faz o vinho ficar com a coloração laranja. É um vinho muito agradável em boca, com muito frescor e equilíbrio. Está fazendo um sucesso tremendo! Produz também vinhos com a uva Merlot, Trebbiano e Marselan.

 

  • VINHA UNNA
    • Produtor Marina Santos – região de Pinto Bandeira, tem sido muito procurada por seus vinhos biodinâmicos, que são quase uma raridade atualmente, dado a pequena produção e também pela alta procura. Provei a sequência inteira de vinhos oferecidos por Israel Dedéa Santos, esposo de Marina. Obviamente não vou me lembrar de todos os vinhos, mas tenha a certeza de que dois experimentos ficaram marcados na minha memória. O Lumina (Riesling Renano) e o Livre Arbítrio (Moscato Antigo). Só espero que mantenham a produção destes vinhos….

 

  • ATELIER TORMENTAS
    • Produtor Marco Danielle – Região de Canela, tem conseguido produzir vinhos excelentes todo ano. Posso aqui dizer que ele tem a mão para produção de Pinot Noir, não tive a oportunidade de provar os anteriores, mas o Fúlvia realmente é um vinho fantástico. Outro ponto interessante e que marca bastante o produtor é que seus vinhos são feitos para guarda, você fica com aquele gostinho de prova-lo daqui a uns dez anos.

 

  • FACCIN VINHOS
    • Produtor Antônio Faccin – Região do Vale dos Vinhedos – Pensa em cara gente boa, isso mesmo! Ele tem um tesouro nas mãos. Filho de imigrantes italianos, foi o único a cultivar as terras deixada pelo pai, todos os outros irmãos migraram para a cidade, mas já está preparando o terreno não só para as uvas, mas também para a próxima geração.

 

  • ZENKER
    • Produtor conhecido pela sua garagem, onde faz experimentos dos mais diversos com uvas e elabora diversas preciosidades no mundo do vinho, está envolto à uma discussão, dado que teve seus vinhos foram apreendidos, ficando impossibilitado de comercializa-los. Quem conhece sabe o que estamos falando, aqui é pura idiotice. O Governo deveria buscar os bons exemplos em países produtores de como tratar o pequeno produtor.

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Este é só uma amostra do que vem por aí, muita gente boa e interessada em fazer bons vinhos naturais e proporcionar em nossas mesas o melhor que a natureza pode nos oferecer.

 

Frase: “ A tecnologia consegue fazer o vinho chegar até um nível. Mas quando falamos de alta qualidade, falamos de terra e da expressão da terra. E esse equilíbrio se consegue no vinhedo, não se pode obter tecnologicamente” – José Alberto Zuccardi – Produtor de vinhos argentinos.

 

By: Edson Mauricio

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VINICOLA FIN & AS MISSÕES BRASILEIRAS

MISSÕES BRASILEIRAS

Mais que um presente, uma velha lembrança para quem é apaixonado pelo mundo que cerca o vinho, chega as minhas mãos uma garrafa e um embutido marcados de muita história.

Mas antes de tudo tenho que fazer um agradecimento ao casal Josmar Martins e Simone Croda pela velha lembrança, amigos, parceiros e família. Eu diria amantes de Bacco’s por que não.

Uma viagem à região sul do Brasil levou nossos amigos até um lugar muito especial, a região das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, onde puderam conhecer um pouco desta história.

Em meados de 1549 chegaram os primeiros jesuítas no Brasil, com a ideia de iniciar um processo de catequização indígena em massa e recebiam ordens do então padre Manuel da Nóbrega.

A ideia dos portugueses era unificar o território brasileiro com base no catolicismo, mas para que os indígenas compreendessem os ensinamos era preciso fazê-los a aprender a ler e escrever e para isso foram criadas algumas escolas de instrução e colégios. Aprendiam basicamente cursos de Teologia, Ciências Sagradas, Letras e Teologia.

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Os portugueses tinham em mente homogeneizar os costumes e as crenças europeias, assim tornando o Brasil como uma verdadeira colônia.

Quando os jesuítas perceberam a intenção dos portugueses de escravizar os índios, começaram um processo migratório para cidades interioranas. Passaram a ensinar a doutrina católica, orientação agrícola, fazendo com que as tribos indígenas vivessem afastadas e independentes dos colonizadores portugueses. É claro que este processo não foi tão simples, pois a medida que uma tribo era exposta aos colonizadores estes o faziam a tribo inteira de escravos.

Apesar dos colonizadores portugueses não aprovarem os trabalhos dos jesuítas as Missões brasileiras duraram aproximadamente dois séculos, mas em 1759 o então primeiro ministro de Portugal Sebastião José de Carvalho, mais conhecido como Marques de Pombal, ordenou a retirada de todos os jesuítas das colônias portuguesas. Segundo registros até aquele ano os jesuítas já haviam construído 25 residências, 17 colégios e seminários por todo território brasileiro.

E é claro que a colonização também trouxe também o cultivo da uva para o nosso território e aproveito para falar aqui da Vinícola Fin, encravada em terras cheias de histórias, um povo sabedor da dificuldade de se trabalhar com a terra e o cuidado com a natureza.

A chegada na região das Missões permitiu ao casal se encontrar com o proprietário da Vinícola Jorge Fin (3ª geração), que logo os encantou pelo seu jeito alegre e comunicativo, coisas de quem tem a paixão pelo que faz.

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De origem italiana (Vêneto) os Fin tentam manter viva as raízes e a tradição familiar na elaboração de vinhos e cultivo das videiras. Para saber um pouco mais sobre o projeto acesse: http://www.vinicolafin.com.br/principal.php

Um embutido feito com muita classe e um vinho feito com uma uva pouco explorada no Brasil, a Tannat, a não ser na região da campanha gaúcha, fronteira com nossos vizinhos uruguaios. Uma combinação perfeita e clássica no interior do Rio Grande do Sul.

Ouvir toda esta história, mais que uma vez para mim foi gratificante.

 

FRASE: “O PRODUTOR NUNCA DEVE PENSAR QUE O VINHO JÁ ESTÁ BOM, O OBJETIVO É SEMPRE MELHORAR A QUALIDADE E PARA ISSO É NECESSÁRIA A CRÍTICA, MAS APESAR DE TUDO CRITICAR PRIMEIRO A SI PRÓPRIO E SÓ DEPOIS OS OUTROS” – TIAGO MIGUEL CUCO GARCIA, ENÓLOGO RESIDENTE DA HERDADE DAS SERVAS (1978).

JOSMAR E SIMONE

Siga-nos pelo Instagram: @emvinhos

 

Fonte de pesquisa: www.historiabrasileira.com

Fotos cedidas pelo casal: Josmar Martins e Simone Croda

http://www.vinicolafin.com.br/principal.php

 

Saúde!

 

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